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maio 21, 2008

Roberto Corrêa _ A arte de Pontear Viola

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Roberto Corrêa _ A arte de Pontear Viola
Roberto Corrêa _ A arte de Pontear Viola.gif
A Viola Caipira e o Caipira Corrêa

Ary Para-Raios

Rigor de cientista, persistência de sacerdote, perfeição de artista e paciência de caipira. Eis alguns dos ingredientes para se gestar um livro- compêndio completo, lírico e historiográfico cujo título, simples, esconde na verdade décadas de dedicação, vivência e labuta por dentro e por fora do assunto de que trata. A arte de pontear viola, de Roberto Corrêa, por decorrência desses ingredientes atinge uma universalidade que por si supera preconceitos acadêmicos que teimam entender arte dividida entre regional e universal.

Destrinçar uma viola, mito, terapia e lazer do sertão e do ser brasileiro, é retirar dela a alma pelo vibrar das cordas. Corrêa, que nos deu de presente em sua interpretação a limpidez única daquele instrumento, nos surpreende com outra dádiva: um livro que o desconstrói, (como querem os semióticos especialistas da arte de hoje), para que consigamos entendê-lo e aceitá-lo sem preconceitos. Nossos olhos e ouvidos de violões, violinos, violoncelos e guitarras, de lentes despreparadas para a singeleza e o timbre da viola, a descortinam fora do estereótipo industrial das duplas sertanejas. A sua contribuição decisiva, somada a de raros heróis que trafegam em uma espécie de contramídia com vertentes, desaguadouros, estrelas e consumidores próprios, em circuito quase fechados, lhe dá novo status.

Até que o universitário Roberto não se intrigasse com a voçoroca que o meios de comunicação colocaram entre sua vida de menino do interior e o suposto verniz do conhecimento citadino; e com a repentina cisão entre sertão e cidade de um Brasil agrário querendo maioridade cultural com sacrifício da próprias raízes, não tínhamos muito alento quanto ao destino da viola. Corrêa foi um importante divisor de águas na história do instrumento e de sua adoção hoje como matéria de escola. A viola caminhava para o ocaso quando o violeiro descobriu que se não encetasse uma busca e a revelasse a músicos e amantes da música, ela seria em pouco tempo peça de museu. Produziu dois livros iniciais, nos quais já se pronunciava o atual, como método de aprendizado simples mas já prenunciando um estudo sistemático. E deu aulas na Escola de Música de Brasília, produziu belíssimos discos e se tornou o virtuose que é. Não se limitou a recitalista. Começou a usar a voz, contar as histórias que vivia ou ouvia e sentiu o público querendo compartilhar do conhecimento que ele acumulava justamente bebendo nas fontes deste mesmo público. A curiosidade por um instrumento próximo na infância e tão distante na juventude lhe conferia passaporte cosmopolita. Violeiro em Campina Verde, violeiro em Berlim, tanto faz.

Abraçou a viola em todas as suas modalidades, dormiu com ela, entendeu suas modas, perdeu o medo, e começou a mostrá-la para sertanejos, e apresentá-la para japoneses e alemães – para ficar somente nos que culturalmente nos causam certos estranhamentos. Ouviu violeiros e aperfeiçoou seus paradigmas. Com a viola saiu de fraque, de botina ou de chapéu de palha. O caipira foi enfrentar os palcos do mundo.

Há quase duas décadas começa a história deste livro. Antes de tudo era preciso ser um instrumentista pelo menos razoável em um universo onde não havia qualquer encorajamento. Roberto foi a luta, voltou ao universo da infância, rebuscou escritos do avô, descobriu segredos, mitos e causos e transcendeu à razoabilidade e à excelência. Se não se pode cair na arrogância de afirmar que é o melhor, é justamente porque é único.

O livro do violeiro – e o termo tem aqui todas as leituras do respeito que representa, de predestinação, de talento, de utopia, – parte de zero e o reconstrói didática e pacientemente o instrumento telúrico até colocá-lo no panteão de nobreza que merece. Repete Catulo da Paixão Cearense que nos anos dez deste século vencia a esnobe elite carioca apresentando o violão, tido justamente como instrumento de rua e popular “demais”, ao Teatro Municipal.

Para quem quer conhecer nossas músicas, nossas tradições orais, ou para quem quer apenas conhecer costumes vivos esquecidos da maioria dos meios de comunicação; para que quer se inteirar de um Brasil que teima em não perder suas características, eis aí o livro ideal. A viola é o mote, o tema. Mas extrapola, se encanta, transcende. Vira livro bem acabado, bem produzido, de alto nível e excelente gosto. Atende estudiosos, músicos amadores e profissionais, leigos. Atende mesmo à exegese acadêmica e até lhe ensina. Ensina, cria, sugere.

A Arte de pontear viola mostra não existir reserva de mercado que supere a intuição e a seriedade. E que o mundo caipira não se entrega. Pode ensinar ao que queira se iniciar, ao iniciado, e ao músico exigente e já amadurecido em outra expressão.

E, por cifras, por ouvido, por ilustração, por partituras ou por texto, mostra que todos podemos entender e tocar o mais brasileiro dos instrumentos de corda, antepassado de muitos dos nossos conhecidos de hoje.

 

Vídeos

Viola Corrêa Produções Artísticas
SEPS 714/914 bloco A sala 140
Ed. Porto Alegre
70.390-145 / Brasília – DF
Tel/Fax: 61 3036-6686
vc@violacorrea.com.br

 

Roberto Corrêa _ A arte de Pontear Viola

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